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Quem acabou de receber uma intimação, descobriu que está sendo investigado ou viu um parente preso em flagrante costuma fazer essa pergunta antes de qualquer outra. É uma dúvida legítima e prática: antes de saber o que fazer, a pessoa precisa entender quanto vai pagar para começar.

A resposta honesta é que não existe um valor único. A consulta com um advogado criminalista no Brasil normalmente fica entre R$ 250 e R$ 600, mas esse intervalo é apenas uma média de mercado. O preço real depende do estado, da comarca, da complexidade do caso e da experiência do profissional que você procura. Em capitais e com advogados especializados, é comum que o valor seja maior; em cidades menores, pode ficar na faixa de baixo. Quem busca um número fechado e válido para o país inteiro acaba se frustrando, porque ele simplesmente não existe.
Na advocacia criminal existem vários ramos, que podemos dividir em:
- Advogado Criminal Especialista em Crimes Sexuais;
- Advogado Criminal Especialista em Tráfico de Drogas;
- Advogado Criminal Especialista em Homicídios;
- Advogado Criminal Generalista (defende todas as acusações).
Neste artigo, vamos falar um pouco mais sobre os crimes sexuais.
Quanto custa um advogado especialista em crimes sexuais?
A precificação de um especialista em crimes sexuais (como importunação sexual, assédio, estupro ou estupro de vulnerável) costuma se posicionar na faixa mais alta do mercado criminal. Isso não acontece por acaso, mas sim pelo nível extremo de complexidade técnica e sensibilidade que essas causas exigem.
Enquanto um processo criminal comum pode seguir uma média de mercado, a defesa técnica em crimes sexuais envolve fatores específicos que elevam o valor dos honorários:
- Complexidade probatória: diferente de um furto ou de um estelionato, em que há um rastro documental ou material óbvio, os crimes sexuais frequentemente acontecem “a quatro paredes”. A acusação costuma se basear fortemente na palavra da vítima e em laudos periciais complexos (psicológicos, antropológicos ou biológicos). O especialista precisa ter conhecimento profundo para analisar cada linha desses laudos, formular quesitos para peritos e confrontar depoimentos sem cometer revitimização.
- Investigação defensiva: em muitos casos, para demonstrar a inocência ou apontar inconsistências na acusação, o advogado precisa realizar uma investigação defensiva robusta ainda na fase de inquérito policial. Isso envolve colher depoimentos de testemunhas, levantar provas digitais (mensagens, histórico de geolocalização) e reconstruir a linha do tempo dos fatos antes mesmo que o Ministério Público ofereça a denúncia.
- Repercussão social e sigilo: são processos que correm sob estrito segredo de justiça, exigindo cuidado redobrado com o vazamento de informações que possam destruir a reputação do acusado (ou de sua família) antes mesmo de qualquer julgamento.
Em termos práticos de mercado, uma consulta com um especialista dedicado exclusivamente a essa área raramente fica abaixo do piso da OAB, situando-se geralmente entre R$ 250 e R$ 500, dependendo do renome do profissional e da urgência do atendimento.
Já os honorários para a defesa completa em uma ação penal dessa natureza costumam partir de cerca de 10 salários mínimos. Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621 (Decreto nº 12.797/2025), de modo que esse valor inicial gira em torno de R$ 16.000 a R$ 20.000, podendo ultrapassar os 100 salários mínimos — ou seja, mais de R$ 160.000 — em casos complexos de estupro de vulnerável ou que envolvam múltiplos réus e farta prova pericial.
Valores de referência por tipo de serviço
Para dar uma noção realista, estas são faixas praticadas no mercado geral. Não são tabelas oficiais e variam bastante conforme a região e o profissional:
- Consulta inicial: de R$ 250 a R$ 600;
- Acompanhamento em delegacia (flagrante, oitiva, interrogatório): de R$ 2.500 a R$ 5.000;
- Defesa em Inquérito Policial: de R$ 17.000 a R$ 35.000 ou mais;
- Defesa em Processo Criminal: de R$ 17.000 a R$ 51.000 ou mais;
- Defesa em Apelação Criminal: de R$ 9.000 a R$ 20.000 ou mais;
- Defesa em Recursos Constitucionais: de R$ 30.000 a R$ 100.000 ou mais;
- Parecer Criminal: de R$ 9.000 a R$ 15.000 ou mais;
- Revisão Criminal: de R$ 17.000 a R$ 51.000 ou mais.
Uma observação importante: a consulta e a contratação da defesa são coisas distintas. Na consulta, você paga pela orientação — entender em que situação está, quais são os riscos e o que pode ou não ser feito naquele momento. A contratação da defesa é o passo seguinte, com escopo, prazo e valor próprios. Não confunda o preço de uma coisa com o da outra na hora de comparar profissionais.
O que faz o preço subir ou descer
O valor cobrado não é arbitrário. Ele responde a critérios concretos:
- Expertise do advogado: advogados com muitos anos de experiência costumam praticar honorários mais elevados, porque acumulam amplo conhecimento técnico e trazem, na bagagem, inúmeros processos em que já atuaram e obtiveram absolvições para seus clientes.
- Complexidade e gravidade do caso: um inquérito por importunação sexual não dá o mesmo trabalho que uma defesa por estupro de vulnerável com farta prova pericial. Quanto mais grave a acusação e mais volumoso o processo, maior a dedicação exigida e maior o honorário.
- Fase processual: atuar ainda no inquérito policial, antes da denúncia, é diferente de assumir um processo já em andamento, com prazos correndo, ou de cuidar de um recurso. Cada fase tem seu próprio escopo de trabalho e, por isso, seu próprio preço.
- Urgência e horário: prisão em flagrante não tem hora marcada. Atendimentos de plantão, de madrugada, em fins de semana ou na própria delegacia exigem disponibilidade imediata e, por isso, costumam ter valores mais altos.
- Comarca e deslocamento: um caso no interior, que obriga o advogado a viajar e se hospedar para audiências, naturalmente custa mais do que um processo na cidade do escritório.
- Experiência e especialização: um profissional que atua exclusivamente na área criminal e tem trajetória conhecida tende a cobrar mais do que um generalista. Você está pagando não só pelo tempo, mas pelo conhecimento técnico acumulado, que muitas vezes faz diferença no resultado.
A tabela da OAB existe — e ela é um piso, não um teto
Cada seccional da Ordem dos Advogados do Brasil publica uma Tabela de Honorários própria, atualizada periodicamente. Essa tabela traz valores mínimos de referência para os principais serviços, inclusive a consulta jurídica.
Dois pontos importantes sobre ela.
Primeiro, os valores são mínimos. Cobrar abaixo da tabela é considerado aviltamento da profissão, uma infração ética. Por isso, desconfie de quem oferece “consulta de R$ 50” ou serviços muito abaixo do mercado: não é sinal de bom negócio, e sim de algo fora dos parâmetros da própria Ordem.
Segundo, a tabela é referência, não imposição. Os honorários são livremente combinados entre advogado e cliente, desde que respeitem o piso e as regras do Código de Ética. Um profissional com anos de atuação em crimes sexuais ou no Tribunal do Júri pode cobrar bem acima do mínimo, e isso é absolutamente regular.
Algumas seccionais fixam os valores em reais; outras usam a URH (Unidade Referencial de Honorários), reajustada todo ano. Para saber o número exato do seu estado, o caminho é consultar a tabela oficial no site da OAB da sua seccional.
Vale registrar uma mudança recente: várias seccionais passaram a tratar a cobrança da consulta como obrigatória, seja ela presencial ou online, verbal ou escrita. Ou seja, a “consulta gratuita” como estratégia de captação tende a ser cada vez mais rara e, em alguns lugares, mal vista pela própria Ordem.
Por que o advogado criminal não trabalha “só se ganhar”
Muita gente chega ao escritório perguntando se dá para pagar apenas em caso de absolvição. Na advocacia criminal, isso praticamente não existe, e há uma razão técnica para isso.
O Código de Ética e Disciplina da OAB permite a chamada cláusula quota litis (ou ad exitum), em que o advogado recebe conforme o resultado. Só que essa cláusula foi pensada para causas com proveito econômico mensurável: uma indenização, um benefício previdenciário, um valor que o cliente “ganha” no fim. A própria regra diz que os honorários não podem superar a vantagem obtida pelo cliente.
Na esfera criminal, o que está em jogo é a liberdade, não dinheiro. Não há proveito econômico para servir de base de cálculo. Por isso o criminalista cobra pela execução do serviço técnico — pela defesa que vai construir, pelas peças, pelas audiências, pela presença — independentemente do desfecho. O que você paga é o trabalho qualificado, não uma aposta no resultado. Aliás, prometer absolvição é, por si só, conduta antiética: ninguém pode garantir uma decisão judicial.
A importância do especialista em acusações complexas
Quando o caso envolve infrações específicas e delicadas, a escolha do profissional exige ainda mais critério. Em investigações que tratam de crimes contra a dignidade sexual, por exemplo, o suporte de um advogado especialista em crimes sexuais faz toda a diferença para assegurar que os laudos periciais e os depoimentos sejam auditados com o rigor técnico necessário.
Como evitar surpresas
Antes de fechar, peça um orçamento detalhado e por escrito. O contrato de honorários deve deixar claro o que está incluído (consulta, acompanhamento, peças, audiências, recursos), as formas de pagamento e o que fica de fora. Pergunte se a consulta inicial é cobrada à parte ou abatida caso você contrate o serviço completo — essa prática varia de escritório para escritório.
Pergunte também, com objetividade, o que acontece se o caso evoluir: um inquérito pode virar processo, um processo pode subir para recurso, uma sentença pode exigir nova fase de execução penal. Saber desde o começo se cada etapa é cobrada separadamente evita o desconforto de uma cobrança inesperada lá na frente. Advogado sério não foge dessa conversa; ao contrário, ele costuma puxá-la.
Se quiser conferir os parâmetros oficiais, acesse a Tabela de Honorários no site da OAB do seu estado. E se você realmente não tem condições de pagar um advogado particular, procure a Defensoria Pública: ela presta assistência jurídica gratuita a quem comprova insuficiência de recursos, inclusive na área criminal.
O mais importante: não deixe o custo paralisar a decisão. Em matéria criminal, o tempo é decisivo. Conversar com um profissional logo no início, ainda na fase de investigação, costuma evitar erros que saem muito mais caros depois — em dinheiro e em consequências.
Diante de acusações dessa gravidade, contar com um advogado especialista em crimes sexuais garante uma defesa técnica robusta e estratégica desde a fase do inquérito policial.
FAQ — Perguntas frequentes
A primeira consulta com advogado criminalista é gratuita?
Nem sempre. Muitos escritórios cobram a consulta inicial, e várias seccionais da OAB passaram a tratar essa cobrança como obrigatória, justamente para valorizar a orientação técnica. Alguns profissionais abatem o valor da consulta caso o cliente contrate o serviço completo. O melhor é perguntar antes de marcar.
Por que um advogado cobra mais caro que outro pelo mesmo caso?
Porque honorário não é só preço de tabela. Pesam a experiência, a especialização na área criminal, o reconhecimento profissional e a estrutura do escritório. A tabela da OAB fixa apenas o mínimo; acima dele, cada profissional precifica conforme sua trajetória e a complexidade do caso.
Posso pagar o advogado parcelado?
Sim. O parcelamento é comum na advocacia criminal e deve constar do contrato de honorários, com valores, datas e condições definidos. Vale negociar isso abertamente já na consulta inicial.
É verdade que cobrar muito barato é proibido?
Em certo sentido, sim. Cobrar abaixo do piso da tabela da OAB configura aviltamento, que é infração ética. Por isso, preços muito abaixo do mercado devem acender um alerta, e não despertar entusiasmo.
Não tenho dinheiro para pagar. O que faço?
Procure a Defensoria Pública do seu estado, que oferece defesa gratuita a quem comprova não ter recursos para contratar advogado particular. Na área criminal, ninguém fica sem defesa: se a pessoa não constitui advogado nem se enquadra na Defensoria, o juiz nomeia um defensor.
Quanto custa, afinal, a consulta?
Como média de mercado, algo entre R$ 250 e R$ 600, podendo ser maior em capitais e com profissionais especializados. O valor exato depende da sua região e do caso. Para a referência oficial, consulte a Tabela de Honorários da OAB do seu estado e, na dúvida, ligue para o escritório e pergunte diretamente quanto custa a consulta e o que ela inclui — é a forma mais rápida e segura de ter um número real.
Texto de autoria do Dr. Sergio Couto Junior — Policial Civil (Investigador) entre 1997 e 2007. Especialista na defesa de pessoas acusadas de crimes contra a dignidade sexual, atua há 20 anos na área criminal. Conheça o trabalho do escritório em Advogado Especialista em Crimes Sexuais.